quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A ONDA

Ontem saí em busca das ondas, dei uma checada na internet e como a ondulação estava de sul, vi que a melhor opção era a Praia Grande em Arraial do Cabo, dependendo da ondulação e da posição do vento elas podem ser as ondas mais perfeitas da região. Comigo não foi diferente, peguei o carro e preparei o equipamento e segui para o Arraial do Cabo, chegando lá sozinho e examinando as condições do mar, pensei em retornar, sem nem entrar no mar, mas afinal, tinha gasto tempo e combustível, ia retornando, mas parado a contemplar o mar vi uma galera que se esbaldava, então pensei comigo: "vou pegar umas intermediárias pra não passar batido", então fechei o John e parti pro mar, fiquei no meio do caminho, as intermediárias estavam cheias e grandes, também com alguma força. Peguei uma dessas e não foi muito legal e ela fechou rápido e me derrubou, retornei então e fui entrando, passei algumas ondas de tartaruga e afinal minha prancha não é pequena. Fui remando, passando as ondas, quando dei por mim estava na zona do perigo, na zona da arrebentação, remei, remei, e nem senti que tinha chegado lá, fiz força, remei para entrar em algumas ondas mais fortes, ondas da série, e não consegui dropar, voltei então pra dentro e esperei um pouco mais, senti-me um pouco cansado, mas não tinha com sair daquelas ondas sem ser sobre elas, tava um pouco pesada nas séries, então esperei, descansei um pouco e de repente, quando olho pra traz, vem ela, linda, com parede, com força, explodi na remada, subi na prancha, dropei  a onda, subi até o lip, dei uma batida, desci e voltei na junção pra finalizar a onda, perfeita, linda, maravilhosa, meu desejo era voltar e pegar utras ondas, mas estava cansado, senti um mal-estar, então pequei uma espuma e segui pra praia, peguei a prancha meio ofegante, quase sem respirar direito subi até a calçada, e sentei num banco. Tornei a respirar e abaixei a parte de cima do john, mas só conseguia pensar na onda fantástica que tinha pegado. Só peguei praticamente uma onda, mas foi a onda, valeu por todas que peguei no último mês, estou logo pra voltar lá, com o mar nas mesmas condições e quebrar tudo. Na vida, o que conta não é a quantidade de momentos que você vive, mas a qualidades destes momentos, você pode viver um ou poucos momentos especiais, mas o importante é como esse momento vai repercutir na sua lembrança. Não sou surfista profissional, não tenho essa ilusão, mas uma onda grande, bem surfada, é fantástico.

Um comentário:

Julio Nascimento disse...

Belo texto Pastor Emerson. A sensação de surfar uma onda boa é indescritível. Só quem já pegou e guardou na memória pode descrever. Aloha e Paz de Cristo.