quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

UM ESTRANHO NO NINHO


Em um dos finais de semana das minhas férias estava no clube com minha família desfrutando de um belo dia de sol quando parei para observar o meu entorno. Passei a observar o comportamento e o diálogo das pessoas que estavam a minha volta. Percebi a superficialidade com que tratavam os assuntos da vida, como inconscientemente desprezavam toda a complexidade da vida e das relações humanas.
Senti-me como numa cena de filme que nos leva a um patamar de macro visão da cena, e de repente me dei conta de como aquelas pessoas não percebiam a sua função na terra nem como valorar os aspectos psicológicos e emocionais de sua existência.
Sua visão de vida baseada em valores perecíveis, arraigados a matéria e a aparência, como se a vida em sua essência se limitasse a frivolidade de seus pensamentos e ações, senti-me como se estivesse num universo paralelo, totalmente diferente daquela atmosfera, onde pessoas se sentiam superiores e competiam para ver quem tinha a melhor aparência e o melhor estilo de vida.
Orgulhosos por desfilar roupas de marca, cordões de ouro, bebericar cerveja, alimentar a carcaça de petiscos. Sem perceber as suas almas em estado de putrefação, causada por um câncer que a corrói levando-os a degeneração de seus sentidos, refletidas em seus corpos, que em longo prazo os separam da razão preternatural de sua existência.
Sentido-se superiores e como se tivessem alcançado o auge da ascensão humana, atingido o objetivo da vida, extremamente alheios, alienados do propósito de sua criação e existência. Como alvos fáceis de algo maior que cega suas mentes inibindo-os de ver a realidade, e conduzindo-os como uma massa inculta, influenciada por ditaduras culturais empregadas por indivíduos malignos, que querem que permaneçam na ignorância.
Senti-me constrangido perante a minha visão, não que não goste de coisas boas, seria hipócrita se disse que não gosto. Gosto de me vestir bem, de um bom relógio, de conforto, não vejo mal nisso, mas isso não é o sentido da minha vida, posso me sentir bem com ou sem isso. Não me sinto superior ao meu próximo por que uso um bom relógio ou visto um terno com um caimento apropriado a minha estrutura física, não me sinto superior por dirigir um bom carro. Não são as coisas que possuímos  ou que usamos que definem quem nós somos, essas coisas devem estar a nosso serviço e não serem o sentido de nossa vida, pois acabam-se, depreciam-se, são corroídas pelo tempo.
Era como se não pertencesse àquela realidade, senti-me um estranho, um estranho às relações humanas, como se não falasse a mesma língua, não vivesse as mesmas experiências, não tivesse nenhum valor parecido. Pude compreender o mito da caverna, a angústia socrática diante da humanidade frívola, o sentimento de descontentamento de Platão.
Pude contemplar de uma maneira pragmática as afirmações positivas de Jó mediante a sua realidade de desgraça. As afirmações de Jesus no texto de João 17. A afirmação categórica de João quando diz que os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque a luz revela suas fragilidades, suas imperfeições, o seu mal. A preocupação do apóstolo Paulo com a igreja embrionária.
Os homens são maus, alheios a razão de existirem, não percebem o propósito de viver essa realidade. Espero em Deus, que a minha existência deixe um legado, algo de útil aos que vierem depois de mim. Espero sinceramente que possa de alguma forma aclarar àqueles que estão a minha volta que a vida tem um propósito ulterior.
Pr. Emerson B.Silva

Um comentário:

jacobede disse...

Pastor Emerson, que tristeza ver o contexto onde vivemos longe de Deus. Mas eu louvo a Deus por iniciativas como a sua de pregar pela net, este campo virtual onde o inimigo ataca silenciosamente até os escolhidos do Senhor. Q Deus o abençoe q possas continuar pregando o evangelho puro, simples e genuino. Graça e paz,
Jackie.